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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Dicas para os professores cuidarem bem de sua voz

Saúde

As férias acabaram e agora chegou o momento de alunos e professores voltarem às salas de aula renovados para o início de mais um trabalhoso ano letivo. Entretanto, problemas vocais é a principal causa de afastamento dos professores e, por isso, é necessário que eles tomem alguns cuidados especiais.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos da Voz (CEV) em parceria com o Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP) e com a Universidade de Utah, nos Estados Unidos, 35% dos professores entrevistados relataram a presença de cinco ou mais problemas vocais, e 63% disseram já ter tido algum problema durante a vida.


Os dados indicam que 16,7% dos professores consideram que terão que mudar de profissão no futuro por conta dos problemas vocais. O questionário com 35 perguntas foi aplicado para 3.265 pessoas, das quais 1.651 eram docentes. Entre os professores, 63,1% afirmaram ter alterações vocais. Entre os "não professores", 35,1% também afirmaram ter problemas com a voz. Os principais problemas relatados são: cansaço vocal (92%), desconforto para falar (90,4%), esforço para falar (89,2%), garganta seca (83,4%), rouquidão (82,2%), dificuldade para projetar a voz (82,8%), instabilidade ou tremor na voz (79,3%) e dor na garganta (72,7%).

Outro dado preocupante é que as doenças vocais, decorrentes ou prejudiciais ao trabalho, provocam efeitos nos níveis social, econômico, profissional e pessoal, representando um prejuízo de mais de 200 milhões de reais ao ano no Brasil, segundo uma pesquisa do 3º Consenso Nacional sobre Voz Profissional em 2004. Para auxiliar os professores a não voltarem às aulas sem voz, especialistas da ABLV lançam a "Campanha da Voz", uma iniciativa que busca orientar sobre a prevenção do câncer de laringe e conscientizar a população e, principalmente, os profissionais da voz sobre a importância dos cuidados com o aparelho vocal.

Segundo o otorrinolaringologista José Eduardo Pedroso, presidente da Academia Brasileira de Laringologia e Voz, "a atividade docente quase sempre implica em uma demanda vocal maior que a habitual. Isso depende de alguns fatores como seu local de trabalho - acústica do ambiente, tamanho da sala, uso de aparelhos auxiliares (microfones), quantidade de alunos por sala, idade dos alunos - e suas condições físicas, como resfriados, gripes, sinusites e outras doenças laríngeas ou alterações estruturais que podem contribuir para o surgimento de alterações vocais".

Pedroso apresenta os principais riscos que os profissionais que usam excessivamente a voz e de forma incorreta podem sofrer ao longo dos anos. "Os principais riscos estão relacionados ao trauma constante, que pode levar a lesões como pólipos, nódulos e granulomas que são lesões de cobertura das pregas vocais. Se não forem tratadas corretamente podem levar a danos irreversíveis", alerta.

Adriana Maria Wecc Silva, 39, é professora de matemática do ensino médio há 15 anos, pastora evangélica e membra do grupo de cantores na sua igreja. Adriana ministra seis aulas por dia, cada uma com cerca de 50 minutos, além dos cultos e ensaios da igreja aos finais de semana. Adriana está na parcela da população que usa a voz demasiadamente e, por isso, já chegou a apresentar problemas vocais.

"Trabalho com adolescentes de 14 a 17 anos, idade que eles ficam agitados e ainda têm as cordas vocais novas, e tenho percebido que os jovens estão falando cada vez mais alto, pelo fato de usarem muito o fone de ouvido. Por tentar falar muito alto às vezes, tentando competir com a voz dos alunos, já tive problemas de rouquidão, dor de garganta e cansaço ao falar. Por isso, passei a tomar certos cuidados, como evitar forçar a voz, beber bastante água e fazer exercícios vocais antes de cantar. Há dez anos, também comecei a usar o microfone nas salas de aula e isso tem facilitado bastante", conta a professora.

Tribuna do Norte

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