Médicos, pacientes e funcionários fizeram um protesto na porta do hospital. Fotos: Ana Amaral/DN/D.A Press
A dor e o sofrimento dos pacientes do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel
(HWG), maior hospital público do RN, não se limita apenas aos
corredores superlotados. Ontem, um paciente se recuperava de uma
cirurgia no baço na porta do Centro Cirúrgico deitado numa maca cujo
suporte para sua cabeça era a tampa de um tambor de lixo.
Situação chocou representantes dos direitos humanos. Cremern estuda ação
Absurdos como esse e muitos outros foram vistos durante uma visita
realizada pelo Conselho Regional de Medicina (Cremern), que convidou
conselheiros dos Direitos Humanos no RN para conhecerem a realidade do
Walfredo. O Rio Grande do Norte está em estado de calamidade há mais de
60 dias, e o plano emergencial lançado pela governadora Rosalba Ciarlini
(DEM) para conter o caos ainda não apresenta resultados visíveis, pelo
menos para os pacientes da unidade. Revoltados, eles chegaram a ameaçam
queimar colchões. Médicos e funcionários fizeram um protesto na frente
do Pronto-Socorro Clóvis Sarinho.
Para onde se olha no Walfredo
Gurgel é possível ver problemas, inúmeros, graves, proporcionais à
superlotação. Macas de ambulâncias do Samu ficam retidas dentro do
hospital com e sem pacientes. Algumas completamente sujas de sangue.
Eletrocardiogramas são feitos no meio do corredor por falta de espaço.
Pacientes aguardam uma cirurgia ortopédica há mais de um mês, sem
nenhuma previsão de quando farão o procedimento.
O cenário de
hospital de campana, daqueles que são vistos em guerra ou em filmes de
ficção, chocou os representantes dos Direitos Humanos. "É uma situação
calamitosa, inimaginável. Os pacientes estão rebelados. Chegou o momento
da sociedade e das instituições buscarem restaurar a dignidade dessas
pessoas. Desejamos que o governo estadual reabra o diálogo e que dê
resolutividade a esses problemas. Apesar de tudo, esse hospital é um
grande salvador de vida. Eu já tive minha vida salva, passei três dias
amarrado no corredor. O Walfredo precisa ser um hospital de vida, e não a
sala da morte como é agora", afirmou Marcos Dionísio, presidente
doConselho Estadual dos Direitos Humanos.
O
presidente do Cremern, Jeancarlo Cavalcanti, afirmou que as
instituições avaliam uma forma de propor uma ação judicial conjunta para
que alguma coisa seja feita para diminuir os problemas. Eles vão se
reunir na próxima segunda-feira, 17, às 9h da manhã. "Não podemos fechar
o hospital, interditar as áreas mais críticas, sob risco de corrermos
homicídio culposo. Vamos lutar até a última hora para os pacientes terem
atendimentos dignos, como eles merecem", afirmou.
Cavalcanti
disse que a situação é grave em todos os setores do hospital,
especialmente no pronto-socorro, e que a única possibilidade de
interdição real é no Centro de Recuperação de Operados (CRO). "Mas não é
nossa intenção porque isso traria um prejuízo imenso à população, mas
lá os médicos e outros profissionais trabalham em condições precárias". O
DN constatou, no CRO, tambores de lixo ao lado dos leitos onde os
pacientes estavam entubados, recebendo tratamento.


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